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O “investimento” no exemplo do silêncio de Maria Santíssima

São muito comuns em nossos dias comentários sobre possibilidades de investimentos financeiros, desde vultuosas quantias até operações financeiras mais modestas. E não há nada de errado em se buscar aplicar judiciosamente os recursos materiais para que sejam aumentados, desde que se o faça de forma lícita e o dinheiro não se torne objeto de idolatria, colocado “acima de todas as coisas”.

Jesus ensinou: “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado.” Quando não é assim, por mais que se tenham muitos confortos e facilidades, a vida vai perdendo o sentido e a tendência é se cair em abismos existenciais, aos quais se é empurrado por vícios como pornografia, alcoolismo, drogradição… e pelos grandes “fantasmas” que pairam no ar de forma avassaladora em nossos tempos: ansiedade e depressão.

Em meio a tudo isso, quando não se prioriza o Reino, a tendência é se viver em ambientes de discórdia e confusão, onde as guerras, que nos causam pavor e tanto condenamos, se estabelecem de um modo deplorável dentro dos próprios lares – onde deveria prevalecer o amor familiar – tendo como “partes contrárias que lutam entre si” maridos e esposas, pais e filhos… São também comuns os conflitos nos ambientes de trabalho – onde deveria prevalecer a amizade, o respeito, a colaboração mútua ente os colegas. E até mesmo nos ambientes eclesiais, nas diversas instâncias da Igreja – onde deveria imperar e se irradiar para o mundo o exemplo da caridade fraternal, o testemunho do “amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”

Tive o privilégio de viver uma experiência de maravilhoso encontro pessoal com Jesus ao conhecer a Comunidade Católica Transfiguração e, entre inúmeras graças e bênçãos recebidas a partir de então, foi de grande proveito uma fala do seu fundador, Jamir José de Souza, ao partilhar que pede em suas orações, diariamente, “a luz da Santa Palavra”.

Incluí esse pedido em minhas orações e, com o mesmo intuito, agreguei  também o pedido da iluminação para falar o que deve ser falado e calar o que deve ser calado. Ao longo dos dias fui compreendendo o quão importante é calar. Percebi o quanto eu era usado pelo maligno, através das palavras que proferia. De forma especial a ira me dominava de um modo intenso. Passei então a “investir” no exemplo do silêncio de Maria, que, conforme São Lucas, guardava as coisas e as meditava no silêncio de seu coração. Assim ela fez na apresentação do menino Jesus no templo, diante da profecia de Simeão de que uma espada de dor lhe trespassaria o coração. Do mesmo modo agiu no episódio da perda e reencontro do menino Jesus no templo ensinando os doutores da lei aos 12 de idade.

Quando se cala e guarda no coração – em conjunto com os demais cuidados que o cultivo espiritual requer – se proporciona o tempo para a atuação do Espírito Santo. Esse “investimento” no silêncio viabiliza as condições necessárias à ação fecunda do Espírito para gerar os seus frutos, que são: “[…] caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança (Gálatas 5:22-23).” E quando não se segue esse sublime exemplo de Maria Santíssima, tende-se a gerar um ambiente favorável à eclosão dos frutos da carne: “fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes (Gálatas 5:19-21).”

Quando se colhem os frutos do Espírito, o viver se transforma maravilhosamente – sejam quais forem as circunstâncias. Quando o ser se mantém preso nas armadilhas da carne, por mais que tenha tudo, nada satisfaz.

À medida que o viver vai sendo nutrido pelos frutos do Espírito, o retorno do “investimento” no exemplo do silêncio de Maria Santíssima vai gerando também, gradual e progressivamente, as condições propícias para irradiar aos circunstantes a paz profunda gerada pela busca de conexão com Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo – pelo empenho para se configurar a Ele. E o testemunho dessa vivência na paz do Senhor vai gerando o necessário para acontecer o que ensinou o Papa Bento XVI: a atração para Cristo das pessoas que rodeiam o cristão que se empenha para ser fiel ao Senhor. A partir do testemunho, da vivência nessa paz, vai se transformando a visão que os circunstantes tinham do cristianismo, fazendo-os desejar também usufruir essa paz inefável.

Louvado seja Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Venerada seja Nossa Senhora, Maria Santíssima, que nos leva a Jesus, aplainando-nos o caminho para nos tornarmos cada vez mais próximos Dele!