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O CRISTO CHAGADO MORREU E RESSUSCITOU POR MIM

SOBRE A PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO.

“Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: ‘Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, mas ressuscitou.’” – Lucas 24, 5-6a.

A mente racional dissociada das realidades sobrenaturais tem grande dificuldade para compreender – até mesmo para conceber – o processo da morte e ressurreição de Jesus. Tende a questionar: “Se Deus é tão poderoso, por que tudo isso?”

É uma questão profunda, sobre a qual se debruçaram mentes brilhantíssimas, entre as quais se destaca Santo Agostinho. Uma de suas afirmações mais impactantes é: “Deus não permitiria o mal se não pudesse extrair dele um bem infinitamente maior.” E assim é de fato, basta nos debruçarmos sobre a realidade com o olhar correto.

Na história da humanidade corrompida pelo pecado, suscetível aos acicates tentadores dos entes malignos, os sacrifícios e oferendas se constituíram desde tempos imemoriais tentativas de amenizar as duríssimas realidades enfrentadas por nossos antepassados.

Do mesmo modo as alianças, realizadas por questões de sobrevivência, conforme explica Santini (www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/3572-liturgia-de-10-de-abril-de-2022): Quando se aproximava da região um exército poderoso, o perigo iminente levava as tribos nômades do deserto a se aliarem, em uma atitude de defesa. Os dois chefes partiam um cavalo em duas metades e passeavam entre as partes sangrentas, como a dizer: “Se eu não cumprir minha parte na aliança, podes fazer comigo o que fizemos com este animal.”

No Gênesis, um ritual semelhante é celebrado entre Deus a Abraão, selando a aliança entre Deus e seu povo (cf. Gn 15, 9-17). Em outras celebrações arcaicas, o sangue de um animal era aspergido sobre a assembleia reunida, como rito de purificação; a melhor carne era queimada em sacrifício e o restante era distribuído ao povo que, assim, entrava em comunhão com a divindade.

As duas partes envolvidas no ritual tornavam-se “aliados de sangue”. Era como se formassem um só povo, pois passavam a ser mutuamente comprometidas com todas as dificuldades e desafios que afetassem uma das partes.

Sendo tais elementos conformadores basilares de nossa memória ancestral, Deus Pai, em seu infinito amor, estabeleceu, como forma definitiva de aliança com a humanidade, o sacrifício de seu próprio filho, para que assim pudéssemos nos tornar “carne de sua carne e sangue do seu sangue”. É esse o significado profundo da Sagrada Eucaristia.

Essa realidade divina, solução extrema encontrada por Deus Pai para resgatar os filhos perdidos no pecado, nos eleva de uma forma tão expressivamente maravilhosa, que Santo Agostinho afirmou: “Bendito o pecado de Adão que me trouxe o Salvador.”

Ou seja, de um grande mal, configurado pela queda no pecado, emergiu o bem infinitamente maior, que é a elevação da natureza humana à condição divina, consubstancial ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, por meio do sacrifício redentor de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele morreu e ressuscitou por mim e por você, precioso irmão, preciosa irmã em Cristo, tornando-nos herdeiros da divindade, investidos da condição divina de filhos adotivos de Deus – não mais apenas criaturas.

Que o Espírito Santo nos dê a visão correta de todas as coisas, para que possamos usufruir, a cada instante do viver e por toda a eternidade, essa realidade suprema que nos é concedida pela fé, pela adesão a Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Vinde, Espírito Santo! Enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso! Amém!