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NÃO É A MESMA COISA!

As araras representam os 2 estados de vida citados no texto

Porque as vocações de vida e de aliança consistem em chamados diferentes.

Em uma busca irracional de tentar frear a vocação alheia ou minar a possibilidade de seus filhos e/ou conhecidos aderirem a um chamado específico de Deus, algumas pessoas colocam nos corações daqueles que as ouvem a seguinte frase: “Não precisa ser comunidade de vida, pode-se ser aliança, porque é a mesma coisa!” Não é a mesma coisa! Seguem algumas razões que esclarecem o quão errônea e devastadora é esta frase equivocada de quem tenta afogar a vocação de outrem.

Caso você esteja adentrando em um meio chamado “novas comunidades”, seguem as definições de ambos os chamados e estados de vida acima referidos e do real propósito de Deus para cada um desses chamados.

O CARISMA

Cada comunidade de vida consagrada, seja ela de vida ou aliança – ou de ambas as modalidades, é regida por um carisma, que é dado por Jesus para fundador da instituição. Este carisma, inspirado ao fundador da comunidade, é uma parte do próprio coração pulsante de Jesus. Por ele (carisma) somos impulsionados a aderir a um estilo de vida e a seguir diretrizes que provém da comunidade. É pelo carisma que são proporcionadas ao fundador as moções que dão forma a todas as particularidades da espiritualidade da comunidade.

A Comunidade Católica Transfiguração vive sob a égide de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a partir de uma frase que sintetiza o que a rege, o seu carisma, que norteia nossa vocação, nosso chamado específico, qual seja: “Refletir o amor apaixonado de Jesus!”

Nosso carisma: “Refletir o Amor apaixonado de Jesus!”

Dentro de nossa comunidade católica temos três modalidades de estados de vida para viver este carisma: o 1o, o 2 o e o 3 o elos, sendo o 1º Elo formado pelos Consagrados em Pertença de Vida e o 2º Elo pelos Consagrados em Pertença de Aliança. O Terceiro Elo é formado pelos chamados amigos da comunidade, que proporcionam apoio na realização de suas atividades.

O Segundo Elo (Consagrados em Pertença Aliança) é formado por filhos do carisma que sentiram um chamado forte do Senhor para ser comunidade, porém sua vocação não implica em abandonar seus empregos, casas e serviços para atender esse chamado. Ou seja, os filhos de aliança trabalham e residem fora da comunidade, servindo dentro das possibilidades. Têm, de fato, a mesma consagração, porém atuam, de forma semelhante aos elos que formam uma corrente, interligando a comunidade com o mundo secular, se constituindo nos braços estendidos onde a comunidade de vida não alcança: abrange o campo missionário do mundo, onde o Primeiro Elo não está inserido.

O Primeiro Elo (Consagrados em Pertença de Vida) é formado pelos filhos que sentiram em seu chamado a necessidade de deixar tudo para trás – não porque estas coisas não lhes são úteis, mas porque se tornaram sem sentido diante da imensidade do amor que têm por Jesus. Esses filhos deixam suas casas e seus empregos e passam a viver dentro de nossa casa mãe ou em uma de nossas casas de missão. Já não mais trabalham fora, mas exercem seus apostolados dentro da comunidade, dedicados exclusivamente aos afazeres da vida consagrada. Estes entregaram tudo para estarem mais próximos de Jesus, assumindo efetivamente a vida missionária. O campo missionário em que se dedicam não pode ser alcançado pelo segundo elo, pois doam suas vidas com dedicação exclusiva, integral, em diversos campos de missão, podendo ser enviados às missões em outras localidades – até mesmo em outros estados.

QUEM CHAMOU?

Quem nos chama é o Senhor, nossa vida e nossa missão se devem ao seu amor misericordioso, que além de nos retirar do pecado, nos dá a liberdade e a oportunidade de sermos servos fiéis a Ele. Deus precisa de operários para sua messe, a evangelização e somos chamados por Ele para buscar nossos irmãos que se encontram perdidos ou afastados do seu amor incondicional.

Ao chamar, Deus se utiliza de “diferentes tons” que diferenciam as modalidades dos estados de consagração – de vida ou de aliança – sendo, portanto, propostas diferentes de formas de viver a vocação ao Carisma Transfiguração, tendo níveis de intensidade distintos.

A um grupo, como já citado a cima, Deus pede um precioso tempo de dedicação à missão, porém esse tempo é limitado pelos diversos compromissos e responsabilidades profissionais e sociais inerentes ao mundo secular. Ao outro grupo Jesus pede toda a vida, a dedicação integral, de acordo com os parâmetros da vida comunitária consagrada.

Imposta esclarecer: ambos os estados de vida precisam ser assumidos sem reservas, porém os níveis de entrega são diferentes. Não se pode desvalorizar um chamado e vangloriar o outro – ambos consistem em joias preciosas como vocação, porém são diferentes na sua forma de vida e em sua essência. Ambos se consagram ao carisma, porém a intensidade de pertença é distinta.

Ao pensarmos em quem chamou, muitos pensam ser o fundador, ou algum irmão de comunidade, ou ainda um pregador ou animador – porém tal semente divina foi plantada pelo próprio soberano Deus do Universo. Deus se vale de profetas atuando como porta-vozes para alcançar essas pessoas, mas quem de fato chama para a missão é Deus mesmo! Ele, amado irmão, amada irmã, não pode se desdizer, ou seja: uma vez chamado, quem o foi será para sempre chamado! Mesmo que abandone tudo e se lance a uma vida longe dele, o chamado e a vocação não são por um tempo, mas para toda a vida. Deus não se engana, não confunde e não mente!

Quem chama continua ali e é a Ele que servimos: o Senhor Jesus! Com coordenadores à frente da missão, a quem os consagrados reconhecem e amorosamente obedecem como fundador, mas sempre quem chama é Jesus!

 

NÃO TOQUEIS EM UM CONSAGRADO

Não ouseis tocar nos que me são ungidos, nem maltratar os meus profetas! (1 Crônicas 16,22)

O campo das vocações evoca a imagem de uma coroa cheia de diamantes, cada um com seu devido valor e propósito que, quando colocados no lugar certo, fazem a coroa como um todo reluzir magnificamente. Porém se falta um diamante, esta ausência se faz perceptível para os que observam, precarizando a beleza e o fulgor da coroa.

Não devemos jamais desvalorizar uma vocação, ou menosprezar alguém por seu chamado. Se fizermos isso, atrairemos sobre nós a mão pesada de Deus. Cada um deve ser respeitado em sua liberdade e incentivado – ao invés de desestimulado – a assumir seu lugar onde se deu o seu chamado.

Ao criticar um estado de vida, podemos estar cometendo um grande pecado, a ponto de insultar o próprio Jesus, que é quem chama. Muitos pais enfrentam um medo que tem grande razão de ser: perder seus filhos para o mundo. Porém alguns têm o medo irracional de “perdê-los” para Deus. Não entendem que os filhos, quanto mais próximos de Deus estiverem, mais felizes serão – e irão refletir bênçãos à toda família. Isso vale tanto para as vocações à vida de leigos consagrados, conforme exposto acima, quanto para as vocações religiosas (padres, freiras etc.). O medo é algo que aprisiona, sufoca e pode até matar a vocação…

Além do medo, a ignorância é outro fator sobre o qual é necessário se manter vigilante e orante, pois não são poucos os que falam sem conhecer. É preciso entender cada vocação, cada estado de vida e buscar, à luz do verdadeiro conhecimento, compreendê-los com profundidade. Cumpre cuidar para não tocar nos eleitos do Senhor, não nos colocarmos como barreiras entre Deus e a vocação do irmão, para que a mão de Deus não pese sobre nós. Vigiar e orar, buscando o discernimento para não ser aquele que destrói, que boicota a vocação do outro… Ao invés disso, sejamos aqueles que agregam, que aproximam e ajudam o irmão a entender o seu lugar no plano de Deus.

 

AS ARARAS (COMPARATIVO)

Façamos uma analogia dos estados de vida consagrada leiga com as araras azuis e vermelhas. Tomemos as azuis como os consagrados em pertença de vida e as vermelhas como os de aliança.

As duas cores de araras são da mesma espécie, da mesma família dos psittacidae. Ambas receberam o mesmo dom e terão a mesma consagração no céu.  São parecidas, ambas estão apoiadas sobre o mesmo alicerce: o Carisma, mas são diferentes.

A arara azul (vida) só será efetivamente verdadeira e coerente com sua natureza se aceitar-se como azul. A partir do momento que ela se autodefinir como uma arara vermelha (aliança), será como se sua missão e seu chamado não pertencessem a ela… Poderá viver como vermelha? Sim, mas nunca será uma arara vermelha e vice-versa, sua vida se tornará incompleta, artificial e seu brilho se ofuscará.

Ou seja: se Deus te chama a ser uma arara azul, como uma arara azul você deve atuar, como tal você deve agir e assim se aceitar, porque a partir do momento que você recusa a sua identidade, você recusa o seu chamado!

Lembre-se: ore, ajude e seja sinal de Deus, onde quer que esteja. Para Deus o nosso melhor, nossa vida!

Deus o abençoe!