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Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

O mês de junho é muito rico em devoções na Igreja, sendo dedicado, de forma especial, ao Sagrado Coração de Jesus, temática especialmente cara à Comunidade Católica Transfiguração, que se sustenta no carisma “Refletir o amor apaixonado de Jesus” – seu amor divino simbolizado em seu sacratíssimo coração.

Para conhecer pontos fundamentais dessa especialíssima devoção, segue resenha de uma aula ministrada pelo professor Felipe Aquino intitulada “Por que ser devoto ao Sagrado Coração de Jesus?” (disponível em: <https://youtu.be/1jhWoTzVlTE>).

O professor Felipe Aquino informa que Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo pediu que essa devoção fosse instituída na sexta-feira seguinte à oitava de Corpus Christi, em aparições a Santa Margarida Maria de Alacoque, irmã visitandina – da Ordem da Visitação de Santa Maria, fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal – falecida em 17 de outubro de 1690 e canonizada em 1920 pelo Papa Bento XV. Nos tempos de Santa Margarida Maria de Alacoque, em torno do ano 1670, havia uma heresia que abafava a fé cristã chamada Jansenismo, propagada por um bispo francês chamado Jansen, que pregava um cristianismo muito triste, apregoando um medo muito grande de Deus, que era apresentado pelos jansenistas como um carrasco. Foi nesse contexto que Jesus apareceu, mostrando seu coração humano e sumamente amoroso.

No ano de 1673 se iniciaram as manifestações de Jesus a Santa Margarida Maria de Alacoque, tendo ela registrado que, na primeira aparição, estando recolhida em profunda oração, viu Jesus saindo do Sacrário – sua imagem se formou a partir de uma névoa – e, dirigindo-se a ela, abrindo a túnica que lhe cobria o peito, mostrou-lhe o coração em chamas, como a sarça ardente no deserto, dizendo: “Eis aqui o coração que tanto amou os homens e pelos quais é tão mal correspondido. Pelo menos tu, filha minha, chora pelos que me ofendem, geme pelos que não querem orar, imola-te pelos que renegam e blasfemam contra o meu santo nome. Prometo-te, na grandeza do meu amor, que abençoarei os lares que neles me hospedem. Que os que comungarem durante nove primeiras sextas-feiras seguidas (de cada mês) não morrerão sem receber os sacramentos da penitência e da Eucaristia.”

Sobre outra aparição, registrou Santa Margarida: “Estando diante do Santíssimo Sacramento, senti-me tão fortemente penetrada da divina presença, que me esqueci completamente de mim e do lugar onde estava. Abandonei-me a esse espírito divino, entregando meu coração à força do seu amor, e ele então me fez conhecer que o grande desejo que tem de ser amado dos homens lhe fez conceber o desígnio de manifestar o seu amor. Fez-me descansar um longo tempo sobre o seu peito divino, descobrindo-me as maravilhas do seu amor e os segredos inexplicáveis do seu Sagrado Coração, que até ali me tinha ocultado. Abriu então, pela primeira vez, mas de uma forma tão positiva e sensível, que não me deixou a menor dúvida, pelos efeitos que essa graça produziu em mim.” Relatou ainda que Ele lhe disse: “O meu divino coração está tão apaixonado de amor pelos homens – e por ti especialmente – que não podendo conter mais tempo as chamas da sua ardente caridade, quero servir-me de ti para espalhá-las.”

O amor divino é simbolizado no coração de Jesus com a chama, os espinhos, a cruz e a ferida aberta no lado direito, de onde saiu o sangue e a água que formaram a Igreja, a esposa de Cristo, segundo a doutrina da Igreja. Santo Ambrósio afirmou: “Assim como do lado de Adão saiu Eva, sua esposa, do lado aberto de Cristo nasceu a sua esposa, que é a Igreja.”

Esclarece o professor Felipe Aquino que decorreu um longo tempo até a Igreja aceitar, aprovar essa devoção. Foi o confessor de Santa Margarida Maria de Alacoque, São Claude La Colombieri – também já canonizado – quem se incumbiu de divulgar, através da congregação dos Jesuítas, as mensagens de Jesus a Santa Margarida, tendo sido ele quem a orientou a registrar tudo o que havia acontecido no decorrer das aparições. Foi somente após muita resistência e muitos sofrimentos passados por Santa Margarida que a festa do Sagrado Coração de Jesus foi instituída. Depois de 150 anos de muitas dificuldades, impostas especialmente pelos hereges jansenistas, e também pelo terror da revolução francesa, em 1856 a festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus foi oficializada pelo Papa Pio IX. E é impressionante como essa devoção se espalhou e atingiu todo o mundo.

Em 11 de junho de 1899 o Papa Leão XIII anunciou a consagração do mundo inteiro ao Sagrado Coração de Jesus, apresentando a imagem do Sagrado Coração como a nova bandeira dos cristãos, declarando essa devoção ao coração divino como a devoção vital da Igreja, afirmando ser ela: “[…] destinada a promover nos últimos tempos as maravilhas realizadas nos primeiros tempos pela cruz.” Os papas que se seguiram reiteraram a importância dessa devoção.

O professor Felipe Aquino expressou que, no século XX, essa devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi atualizada com Santa Faustina – beatificada e canonizada pelo Papa São João Paulo II – que escreveu um diário maravilhoso, ensinando a confiar em Jesus através das mensagens reveladoras do seu coração misericordioso. Salientou que o Catecismo da Igreja Católica (parágrafo 982) ensina que não há pecado que não possa ser perdoado se a pessoa estiver arrependida, pois Cristo pagou pelos nossos pecados com seu sangue, em sua morte na cruz. Precisamos confiar e esperar em Jesus, evitando cair na tentação, no pecado da desesperança. O que cabe é o arrependimento, a conversão, a retribuição ao amor de Deus, mudando de vida, deixando o pecado.

Jesus deixou a cargo de Santa Margarida Maria Alacoque revelar as 12 grandes promessas a quem praticasse essa devoção ao seu Sagrado Coração.

1 – “Eu lhes darei todas as graças necessárias ao seu estado de vida (casado, solteiro ou religioso).” Para isso cumpre entronizar nos lares a estampa, a imagem do Sagrado Coração de Jesus. Também se usa colocar ao seu lado o Sagrado Coração de Maria – uma festa instituída para o dia seguinte – no primeiro sábado após a oitava de Corphus Cristi. Essa entronização deve ser feita pelo sacerdote, tendo orações próprias para sua realização.

2 – “Eu farei reinar a paz em suas famílias!”

3 – “Eu os consolarei em todas as aflições.”

4 – “Serei seu refúgio seguro durante a vida e sobretudo na hora da morte.”

5 – “Derramarei muitíssimas bênçãos sobre todas as suas empresas (atividades, realizações diversas a que se dedicar).”

6 – “Os pecadores encontrarão em meu coração a fonte e o mar infinito da misericórdia.” Jesus visa principalmente os pecadores, conforme esclarece no Evangelho: “Haverá mais alegria no céu por um pecador que se converta do que por noventa e nove justos.” É na confissão que temos essa oportunidade de sermos resgatados por Jesus, o resgate dos pecados, dos vícios… E essa deve ser a maior motivação para trabalhar na Igreja: salvar almas, proporcionar as condições para a conversão de muitas almas.

7 – “As almas tíbias (mornas) se tornarão fervorosas.” Se a alma tornar-se devota do Sagrado Coração de Jesus, se tornará fervorosa na luta contra o pecado, na oração, no serviço à Igreja…

8 – “As almas fervorosas se elevarão rapidamente a grande perfeição.” A alma que já é fervorosa, que não é tíbia, vai atingir um nível de perfeição ainda maior, se tornando mais próxima da santidade.

9 – “Abençoarei, eu mesmo, as casas onde a imagem do meu coração estiver exposta e venerada.”

10 – “Darei aos sacerdotes o dom de abrandar os corações mais endurecidos.”

11 – “As pessoas que propagarem essa devoção terão seus nomes escritos no meu coração e dele nunca serão apagadas.”

12 – “No excesso da misericórdia do meu amor todo-poderoso, darei a graça da perseverança final aos que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses seguidos.” Para obter tal graça da perseverança final – para morrer na graça de Deus – cumpre confessar-se e comungar em nove primeiras sextas-feiras do mês. São as chamadas comunhões reparadoras, com vistas a reparar as ofensas com blasfêmias e profanações cometidas contra o Imaculado Coração de Jesus.

Santa Margarida Maria de Alacoque deixou ainda registrado:

1 – “O Senhor certificou-me de que tem o maior prazer em ser honrado sob o emblema desse coração de carne, cuja imagem deseja ver publicamente exposta para assim comover o coração insensível dos homens.  2 – Que sendo seu coração fonte de todas as bênçãos, as derramará copiosamente em todos os lugares em que estiver exposta a imagem desse amável coração para ser amado. 3 – Nosso Senhor derramará a suave unção da sua ardente caridade em todas as comunidades em que for honrada com amor essa divina imagem e desviará delas os golpes da justiça de Deus.”

O professor Felipe Aquino informou que Santa Faustina disse que o amor de Deus é a flor e a misericórdia é o fruto. Então podemos dizer que o amor do coração de Jesus é a flor e a misericórdia é o fruto que nasce do coração de Jesus. Santa Faustina afirmou ainda: “Nunca desconfieis da misericórdia do Sagrado Coração de Jesus, que é infinitamente maior do que todas as nossas misérias. Vós morrestes, Jesus, mas uma fonte de vida jorrou para as almas e abriu-se um mar de misericórdia para o mundo. É do sangue e água que jorraram do Sagrado Coração de Jesus que brotou um oceano infinito de misericórdia para nós. Ó Jesus, pelo vosso coração tão compassivo, como por um cristal, passaram a nós os raios da misericórdia de Deus. Ó fonte de vida, insondável misericórdia de Deus, envolvei o mundo todo e derramai-vos sobre nós.”

 

Oração de consagração ao Sagrado Coração de Jesus

por Santa Margarida Maria de Alacoque

“Eu vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser senão para vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo(a) vosso(a) e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar. Tomo-vos pois, ó Sagrado Coração, como meu único bem, meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e de minha inconsciência. Reparador de todas as imperfeições de minha vida e meu asilo seguro na hora da morte, sede, ó coração de bondade, minha justiça diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim sua justa cólera. Ó coração de amor, deposito toda a minha confiança em Vós. Pois tudo temo de minha malícia e minha fraqueza, mas tudo espero de vossa bondade. Extingui em mim tudo que possa desagradar-vos ou se oponha à Vossa vontade. Seja vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração que jamais possa eu esquecê-lo, nem separar-me de vós. Suplico, por todas as vossas finezas, que meu amor seja escrito em Vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso(a) escravo(a). Amém!”

Esclareceu também o professor Felipe Aquino que a “Ladainha ao Sagrado Coração de Jesus” é especialmente recomendada para ser recitada toda primeira sexta-feira do mês e que há ainda outras orações correlatas, como a “Consagração da Família ao Sagrado Coração de Jesus” e o “Ato de Consagração do Gênero Humano a Jesus Cristo Rei”, estando as mesmas disponíveis na Internet, como por exemplo nos aplicativos “I-liturgia” e “Católico orante”.